quarta-feira, 19 de abril de 2017

Páscoa?

As datas dos feriados religiosos, estes que param todo o comércio e instituições públicas, exercem um fascínio realmente incrível. Cá estou eu como numa febre coletiva revendo o filme "A Paixão de Cristo" de Mel Gibson. Um oceano de perguntas me vem à mente, pois tenho visto muitas postagens por aqui no Facebook falando sobre: "Feliz Páscoa", "Boa Semana Santa", "Feliz Semana Santa", ou até mesmo "Vamos Comemorar/Reviver A Semana Santa". 
 
Gente, o filme, a história (já tem pra mais de dois mil anos que é contada) fala de uma conspiração seguida de um assassinato da forma mais brutal e sanguinária já vista, a um jovem galileu que devastou o império Romano pregando compaixão e paz. É certo que a "cultura" de hoje prega e exibe com frequência assassinatos medonhos e hediondos (almoçamos vendo isso diariamente na TV aberta - eu não, mas algumas centenas de pessoas sim). E o que temos para comemorar? Reviver?!! Do ponto de vista da Fé de alguns, um sacrifício para nos salvar. Aí eu pergunto: por que naquela época, as pessoas que presenciaram tanto milagres não questionaram ou foram de contra a toda barbárie praticada ao Messias? Por que temos que ficar matando e ressuscitando o mesmo Cristo anualmente para o mistério da nossa fé?
 
Uma sociedade que sente prazer em causar dor e torturar precisa de um "cordeiro" para se imolar em remissão de seus pecados? Esse lance de livre arbítrio pode deixar muita gente doida porque se faz livremente ou até mesmo por poder. Os valores ficam muito confusos no final, pelo menos na minha cabeça. Enfim...vai saber!!!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Retrospecto

Eu tinha desistido de escrever. Motivo: não encontrava assunto que já não estivesse tão saturado nas redes sociais ou nas bocas mundo afora. Ando, ultimamente, atordoado com alguns dissabores pessoais e profundamente incomodado com a intolerância alheia. Tive preguiça de desejar "feliz natal" para muita gente e fui dormir às 22h na noite de réveillon, porque estava ressabiado dos meus sentidos e desacreditado de formalidades até para com amigos e familiares; um cinismo sem fim disfarçado de antipatia. Contudo, mesmo dentro desta tormenta interna, procurei manter alguns hábitos que me despertam sentimentos profundos, que me fazem ver que ainda pulso e que talvez ainda haja alguma possibilidade de fuga ou solução, talvez não tão antenado ou aberto a coisas previsíveis, mas ao que me faz chorar, quer seja a dor ou a alegria. 
 
O início do ano já veio cravado com o que estou denominando, agora, de "ciclo perdido", pois como se não bastasse a partida de algumas figuras públicas que povoam o meu imaginário ( e o torna mais cheio de graça e som), constato algo que não queremos, não esperamos e não estamos, definitivamente, preparados: a necessidade de dizer adeus a alguém do nosso convívio. Se lidar com uma viagem já é um saco, pois com ela vem a descontinuidade das coisas, dizer "adeus", então, é de certa forma tentar se preparar para uma ausência que gritará no nosso coração por todo o sempre. Sim, meu sempre grande amigo Marconny Mello se foi e estou há três dias sem dormir direito, e mesmo procurando nadar (me distraindo, diga-se) neste  rio particular de máculas e lágrimas, um incessante filme de filtro comum com  um nostálgico baú de recordações me vem à tona, com uma precisão como a cereja que decora o bolo todo branco, mas em forma de catarse. Para mim, tal qual lidar com a perda de um livro emprestado e jamais devolvido, deve ser de grande préstimo a quem o faz. Mas, e alguém com quem dividimos tantas histórias juntos? Qual o sentido disso tudo? É para vida ter algum valor? Árdua questão! E diante desse turbilhão de interrogação, recordo-me do que disse Elis Regina, numa entrevista: “... De qualquer forma, é muito triste as pessoas só saberem que a gente gosta delas depois que elas se foram.” Mas discordo, pois quem fica sabendo são os outros, e não acredito muito nesse calor de massa, pois tem algo de modismo nisso tudo e como não sigo tendências, fico enjoado.
 
Rotina é algo realmente incrível na minha vida. Se você não tem  uma, recomendo inventar o quanto antes (sim, com todo o senso de urgência de que se tem direito), até para se chatear e procurar se mover de sua porcaria de zona de conforto, para não saturar a sua existência, essas coisas... Preciso voltar ao silêncio e continuar fuçando esse labirinto interno, deixando como migalhas meus livros e discos, para poder prosseguir e, quando sentir necessidade, voltar. Quero conquistar através de minha jornada solitária um pouco mais de empatia. Sim, preciso urgentemente ser mais empático e até enfático com algumas coisas e aspectos. Ter um pouco mais de bom senso e fazer disso algo bem comum. Ter mais respeito por mim mesmo e propagar algo de respeitoso a você, que lê estas linhas, e quem sabe eu seja vitorioso lhe dando ou despertando um (novo?) rumo, com base em boas palavras. 
 
Quero me colocar devidamente  no meu lugar, vislumbrando e desejando, assim, o seu, seja ele qual for. Porque só o que me é conveniente não pode ser válido, certo? Então, quero ser tão sábio ou esperto (isso vai depender da sua ótica quanto a mim como pessoa ou indivíduo dentro de todo esse contexto), para saber que dentro de você existe um mundo inteiro, aí você faz o mesmo comigo, e quando formos tocar neste solo sagrado que defendemos com unhas e dentes (na maior potência de nossa tola vaidade), que o façamos  com muita RESPONSABILIDADE. 
 
Por fim, vou deixar o meu autoritarismo sarcástico social um pouco de lado e procurarei parar de ACHAR que ser um cidadão comum é excluir a existência ou opinião do meu semelhante (do outro mesmo). Bom, o café está esfriando. E a manhã nasceu com sol ainda mais quente. Vou cuidar de algumas coisas por aqui... Até! 

O poeta Jorge Ben Jor escreveu: "Por que é proibido pisar na grama?"

 
Ultimamente, uma forte dose de sensibilidade tem-se feito presente em meus dias. Talvez, um acúmulo de emoções que devessem ser expressas em tempo real, mas meus mecanismos de defesa as abafaram e, por cargas d´águas que não sei dizer ou até mesmo explicar, foram silenciadas. O mar de “prioridades” que tento me impor diariamente parece escorregar pelos meus dedos como areia. Sei e acredito que sabemos do básico: o pão de cada dia ou seja lá que alimento for.
 
Sim, eu tenho que colocar na cabeça e, talvez, na prática que:
 
.Preciso dormir mais cedo;
.Devo ter mais um pouco de espírito coletivo e, quem sabe, sair mais, até mesmo para ver o mar que receio/desdenho tanto;
.Preciso até mesmo dar início a uma procura por um trabalho diferente;
.Melhorar a minha postura física e pessoal em relação a alguns aspectos que me provocam dor e delícia – o meu maior desejo de transformação.
 
Além disso, talvez eu comece a me alimentar nos horários corretos e, quem sabe, num passe de mágica, estimulado por “bons modos”, minha vida se pareça mais com a vida daquelas pessoas que vejo passando por mim durante o dia e que me inspira ser tão boa! Mas a listinha não para por aqui.
 
.Preciso colocar nesta receita um ingrediente bem importante que é o de ser um pouco mais prestativo e benevolente com meu próximo, que me soa tão “pentelho e foda” de aturar. Preciso atender ao telefone na hora exata, nem que para isso “custe o que custar” do meu precioso tempo. Ter o hábito de me calar quando o meu argumento se faz desnecessário. Tenho que me ater aos assuntos que realmente me são pertinentes. Ou simplesmente saber calar de uma vez por todas.
 
.Preciso prestar atenção na data de trocar a minha escova de dente; 
 
.Preciso admitir, em certos momentos, que meus maiores picos de criatividade só me vêm de madrugada, justamente quando eu deveria estar dormindo para me recompor e ser mais produtivo no dia seguinte. “Não, espera aí!”
 
.Preciso voltar a ler ensandecidamente, para ampliar meu vocabulário e parar de falar palavras já tão usadas e sair, quem sabe, do descarte imediato das coisas urgentemente rotuladas.
 
.Preciso testar a minha agenda telefônica e verificar se todos os números salvos são ainda de quem me deu, se são necessários, se estão ativos, se ainda há conexão ou se posso deletá-los. Um pouco mais de espaço sempre é bom, não é? Em todo e qualquer aspecto.
 
Quais as páginas que preciso realmente seguir? Será que as piadas ou assuntos presentes nelas ainda me servem e são divertidos ou úteis para o meu cotidiano? A faxina está grande... (risos). O meu check up pessoal está avançado. Então, deixe-me começar, de fato, parando de ACHAR! 
 
A canção que me trouxe inspiração para compor este texto me foi apresentada há muito tempo, por uma criatura de espírito novidadeiro, assim como eu. Ainda que seja uma releitura, o novo olhar sobre a, já bela, música de Ben Jor trouxe um frescor diferente, um sabor até então não experimentado. Na voz de Jussara Silveira, é possível sentir, não pés na grama, mas flores.
 

sábado, 6 de agosto de 2016

Eu não moro mais em mim

A inspiração tem me abandonado nos últimos dias. Sinto-me despido e quase sem perspectivas. O que falar ou escrever ao meu próximo que possa ajudá-lo a ser alguém melhor nos dias atuais? Acredito que o bombardeio dos meios comuns de comunicação (leia-se redes sociais) está numa ressaca braba ou até mesmo num marasmo de assuntos bombásticos que nos levam a uma condição explosiva. Mas, com isso, não levamos os méritos, apenas o desgaste e, talvez, o dissabor. Assim, tão logo saímos da brincadeira do "eu tenho razão" de mãos vazias e/ou atadas e já caímos no esquecimento imediato e, novamente, nos levantamos numa fração de segundos para um novo e previsível round.
 
Mas, tempo vem e virá como um tapa na cara. E então, quem sabe, seja tarde demais para realmente avaliarmos o ócio e para onde, de fato, estávamos direcionando as nossas energias, pois o clichê é latente: se queremos verdadeiramente alguma mudança, precisamos intransferivelmente começar de forma interna, ou seja, de nossa tão protegida, amada, idolatrada e salve, salve zona de conforto - ela mesma, a mala!
 
A cultura pragmática das convenções sociais continua, de certa forma, a nos entreter, ou obrigar, a nos darmos um mínimo de lazer. Ou seria um período de férias de nossa mediocridade? Mas, seria mesmo isso? Não! Observem: praticamos certas ações meio que mecanicamente para seguir a tendência do momento e nos vemos exatamente, neste momento, nos comportando ou lidando com algo que não é do nosso costume. Mas, ainda assim, estamos lá. Dentre os inúmeros vazios que sinto ao ver certos registros dos tais atos sociais, parte das tais convenções, estão as fotos com os elementos das festas: garrafas de uísque, gelo, energético (leia-se kit folia). Hoje em dia, ter uma rede social pode ser um "queima filme" letal ou algo muito benéfico no quesito de seleção natural visual do seu próximo. Há registros realmente encantadores, e até pessoais, que são redentores aos olhos de uma sociedade que tem a necessidade de um pouco mais de calor humano. Há, ainda, outros que ... Bem, # oremos!
 
Talvez se faça necessário um outro olhar ao passado. Sim, as nossas raízes nos falam muito de onde principiamos a nossa jornada. Estudamos história para não repetirmos os erros do passado e, quem sabe, neste imenso mar de lembranças não resgatemos algo muito valioso que pode estar adormecido dentro de nós, não é mesmo? Vira e mexe estou tendo surtos como esse. Cheguei a pensar, e em dizer, que fossem os meus fantasmas a me assombrar, mas eram situações meio embaraçosas que hoje eu poderia tirar de letra e raciocinei: "Que tal tentar”? Pura escola, com direito à máquina do tempo. Acredito que não queira sugerir o constrangimento, pois sei que temos momentos bem trash, mas a sugestão é de releitura, reinvenção.
 
Gostaria de deixar uma dica musical de uma artista muito expressiva que vem firmando seus passos no pop com delicadeza, estilo e nostalgia. Sim, a Mahmundi lançou recentemente um álbum homônimo, pelo selo Skol Music, e é de encantos imediatos. Talvez (e eu digo, sim, "talvez") ele te ajude e te fale algo. A mim, não tenha a mínima dúvida, o álbum tem ajudado e falado muito! A constatação do efeito do trabalho da Mahmundi é que, há dias, “eu não moro mais em mim”. 

Clique abaixo para conhecer Mahmundi

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Tempos Quase Modernos!

O tempo em que vivemos pode ser pseudodefinido como o "tempo dos acontecimentos dos últimos dias". O senso de praticidade, e urgência, está tão pungente que conseguir acompanhar ou assimilar todos os eventos é o mesmo que explodir, tal qual uma bombinha reativa. Os extremismos são paradigmas e dogmas de centenas de pessoas que vestem “a camisa” e passam por cima de seus próprios limites em uma busca cega por notoriedade, ou seu mérito, perante a verdade. Não existem mais fatos, apenas grandes suposições, conspirações infundadas num achismo leviano, carregado de ódio e fascismo. Não existem mais metas ou meios, apenas um definitivo e desorientado “SE”; e não há nada de lírico ou poético nisso, pois a coisa tende ao capenga e rasteiro. A sensação constante é de estarmos patinando contra a vontade e em uma maré de um grande terreno gelatinoso que nos deixa completamente vulneráveis às revoltas pela causa de algo que, por vezes, preferimos não saber o quê.
 
Toda informação é “bombástica” e as pessoas estão se mostrando além de “repórteres” de uma mídia sensacionalista para não inspirar ninguém em fantoches de suas próprias crendices e convicções, outrora perdidas na mesma velocidade dos acontecimentos que desafiam o tempo. Uma lógica retorcida que nos deixa com botas de chumbo a afundar num lamaçal respingado e aspergido com o mais irônico ácido de uma verdade que não se mostra ou apresenta consistência. Uma erosão de verbos numa parede frágil, culminando numa estrutura perdida. Não há freios ou rédeas, apenas uma velocidade feroz que irá esbarrar em um sem-obstáculo e, sinceramente, não sabemos onde iremos cair, se iremos flutuar ou voar neste vendaval de insegurança, frutos da nossa impulsividade e inconsequência.
 
Um raso rio de lamento passa por nossos pés, onde não há barragens de armazenamento, e a força toda está a secar. O sentimento ressabiado e envergonhado transpõe toda fé. Não temos certeza da “Sede de quê” da “fome de quê”. Diante desse cenário, estrelas se despedem e crianças mal criadas continuam brotando no mundo imundo chamado de televisão. Até os óvnis desistiram dessa rota, pois, conforme as fábulas e estórias, fomos nós mesmos, os alienígenas, os primeiros a ferrar com o nosso próprio habitat. Falta ainda fazer o mínimo, o realmente necessário: alguma dosagem cavalar de respeito e ciência. Ciência do básico. O maior mal, acredite, ainda continua sendo “aquilo que sai da boca do homem”; e nisso não avançamos.  Achamos, e queremos, sempre que sim! Concluo afirmando que (ainda) nada sei! E talvez nunca saiba nada sobre algo. Mas, qual o assunto que mais lhe interessa mesmo?!

Texto publicado originalmente no Parlamento PB.

TV para quê?



Na época dos nossos avós, ou até mesmo bem antes deles, o rádio - em sua modulação AM - era uma das fontes funcionais de comunicação e entretimento dos lares e, cerimonialmente, todos se reuniam em volta do objeto para ouvir os cantores do rádio e até novelas que eram encenadas nos clássicos estúdios. Então, a TV

chegou e bagunçou com a transição do rádio. Um mar de perspectivas e acontecimentos se desenrolou com tanta praticidade e frescor que a predominância trouxe, em si, uma grade onde a primazia pela qualidade, de certa forma, imperou. Tivemos os grandes festivais da canção propiciadores de espetáculos que revelaram nomes que se consagraram para eternidade, como é o caso da pimentinha Elis Regia, Jair Rodrigues, Chico Buarque, Mutantes, Gal Costa, dentre outros tantos.

O tempo foi passando. Passaram também novelas, programas de auditórios e a máquina do dinheiro começou a girar mais rápido. Algo muito comum no ser humano, habitualmente, é a gana de sempre se ganhar mais. Então, o quesito qualidade começou a passar para segundo plano e o foco passou a ser a audiência. Mas esta questão foi tão levada a sério ao longo desses anos que chegamos a um ponto estarrecedor. Tudo hoje na TV é um reflexo modulado, exageradamente, de planos pilotos lançados em vitrines fora do nosso eixo e que acabam por provocar um comportamento fantasioso por parte dos espectadores, como é o caso do Big Brother Brasil, que promove desde suas primeiras edições um verdadeiro arsenal de bizarrices comportamentais. Acredito que um programa como esse tenha realmente uma direção, pois, como já vimos, não é fácil prender a audiência sem uma boa trama, tudo muito bem selecionado, desde os participantes daqueles icônicos mais explosivos aos polêmicos, para serem dosados com fitness e zens presentes na casa. Mas calma, pois nem tudo é só mediocridade, já que no meio do mar há um bote com uma Minissérie aqui, outra acolá, talvez para mostrar quão grandiosa a grade de entretenimento poderia ser. O fato mais interessante de tudo é o alcance de pessoas ligadas na atração, o que deixamos de produzir quando damos audiência a algo tão sem propósito para o nosso crescimento interior. Observe que hoje, mesmo com tanta banalidade exposta, conseguimos fazer as nossas refeições vendo violência e corpos estirados no chão das nossas cidades. A questão da informação é inevitável, mas para quê ela serve de fato? Onde entra o discernimento para nos resguardarmos e optarmos pelo o que é melhor ou ruim para nós mesmos?

E mais uma vez o advento da internet e suas redes sociais devastaram com a briga pela audiência. Sim, agora cada um batalha por likes, curtidas, visualizações, visitas etc. É assustadoramente comum a veiculação de vídeos (o cinegrafista é o próprio repórter empunhando seu celular e dando o seu parecer “imparcial” acerca do fato que se desenrola na cena), fotos e áudios em seus mais puros e estúpidos conteúdos, em troca de atenção instantânea, passageira e a troco de nada.

Nas redes sociais, o fator surpresa do ser humano vem à tona com xingamentos e o desembaraçar de opiniões que se julgam as mais coesas e tangíveis de defesa até com os próprios dentes. E nesse pacote há de um tudo: assuntos religiosos, políticos e étnicos. De um outro lado, os mesmos internautas “intelectuais” burlam a lei com aquele tal "jeitinho brasileiro" com o uso de aplicativos para "alertar" colegas irregulares perante suas obrigações sociais de uma possível blitz. Ora, o embriagado, ou bandido, pode visualizar a mensagem, desviar e acertar o alvo: eu ou alguém de sua própria família! Há pessoas que não sabem avaliar uma informação, ter um senso crítico e, assim, nos vemos em um momento de ressaca de uma euforia, resultado da incapacidade do diálogo; de gente vomitando conceito, radicalismo e se achando no direito de não escutar nada. As pessoas estão adormecendo na queixa e na reclamação. Fato! Estamos oscilando muito entre a esperança e o desespero. O ponto é: até onde é engraçado levar/exaltar banalidade para "aliviar o peso dos dias"? O que nos faz ter direito de opinar, julgar e até apedrejar o nosso semelhante com tanto destemor? O poeta já escreveu certo dia: "que você saiba que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero". Para finalizar, ainda repito a frase de um post, de autoria desconhecida, onde um mar de consciência se desenrola em poucas palavras: "Em um lugar onde não há atividades culturais, a violência vira espetáculo". Precisamos, sim, investir em educação, tecnologia e em cultura, pois essas ferramentas, combinadas adequadamente, possibilitarão a formação de um bom raciocínio crítico.

Texto publicado originalmente no Parlamento PB.

Mãos à Obra!

Um vídeo postado nas redes sociais, ainda em 2015, deixou-me muito emocionado. O conteúdo exibia o discurso de uma artista negra, que começava recitando um texto de Harriet Tubman (também retroativo, pois data do ano 1800, mas tão atual e urgente), que dizia: “Na minha mente, eu vejo uma linha. Além dessa linha, vejo campos verdes e adoráveis flores, e lindas mulheres brancas com seus braços esticados para mim acima dessa linha, mas parece que eu não consigo chegar lá, parece que eu não consigo ultrapassar essa linha”. Viola Davis foi uma das primeiras atrizes negras a ganhar o cobiçado prêmio de melhor atriz dramática onde, em uma coleção de 67 edições do evento, a predominância para as vitoriosas da categoria era de mulheres de pele branca. Ela completa o seu discurso dizendo que "a única coisa que separa as mulheres negras de todas as outras é oportunidade".

Vídeo de Viola Davis


Pode soar repetitivo ou mesmo correr o risco de parecer rotulado, mas quero falar especificamente para as mulheres negras do meu estado, da minha terra, do meu lado. Ainda franzo a testa ao ver uma jovem querendo alisar o cabelo. Lembro, imediatamente, de minha prima branquinha e sua árdua luta para livrar o seu cabelo alisado à força de toda a química e o quanto ela chama atenção de outras cabeças com o resultado conquistado. Sim, cachos encaracolados de um cabelo preto, crespo, belo e saudável. Isso seria uma cereja no bolo de paradigmas enfrentados por dezenas de milhares de mulheres impostas por uma sociedade viciada em consumir o “veloz passageiro”.

Mulheres negras de força tamanha estão ao redor do nosso país fazendo suas revoluções e pouco confete é jogado em seus trabalhos. O retorno da sambista, de voz incomparável, Elza Soares – A Mulher do Fim do Mundo (Natura Music 2015) – é um exemplo, concreto, de toda a brasilidade da mulher, registrado na raça de uma sorevivente que tem um histórico feminino conturbado, mas que não maculou a sua dignidade e honra. Um trabalho de temas que, devido ao seu teor realista, nunca irão tocar no rádio, mas sabemos que os assuntos existem, estão em "voga" e, assim como certos aprendizados de vida, nunca entrarão em currículos escolares. A arte está em toda parte para que tenhamos novas possibilidades, para que possamos driblar a inevitável vida e seus obstáculos com criatividade, para nos renovar, para nos/te dar a tal “Oportunidade”! Orgulhe-se de seus feitos, de sua disposição, de seu caráter, orgulhe-se, sim, dos seus cabelos e, principalmente, do que você verdadeiramente é!

Texto publicado originalmente no Parlamento PB.